Teoria Triplo D

A vida é difícil. Vamos lá, você sabe que é verdade. Precisamos nascer, viver, amar, trabalhar, pagar imposto de renda e fingir interesse na hérnia de disco do seu tio-avô. Não é fácil, sem contar que alguns ainda têm problemas de verdade, tipo subnutrição, esquizofrenia e tios molestadores.

Os outros seres vivos do planeta também sofrem, mas os humanos têm a desvantagem de serem conscientes e pensarem (alguns, pelo menos). A única coisa que isso gera é sofrimento e frustração. Não só vivemos numa sociedade em que fracasso e violência nos aguardam dobrando cada esquina, mas ainda por cima precisamo saber disso.

Por esses e outros motivos, os seres humanos precisam de algo para aparar as arestas da vida cotidiana. Tudo que faz isso encaixa em um dos três Ds (como escrevo essa porra? Três Dês? Três “D”s?). Os três letra “D” no plural são, respectivamente mas em nenhuma ordem específica, Deus, Droga e Dinheiro. Alguma coisa precisa amaciar a existência, e cada um escolhe o mais adequado para seu estilo de vida. Quem não tem um, usa um dos outros, ou até dois. Deve ser possível usar os três, mas puta merda, haja angústia existencial.

Não acredita? Mostre um servente de pedreiro que não seja crente ou bêbado ou ambos, um ateu que não seja rico ou drogado ou ambos. O D de cada um não é eterno; muitos trocam várias vezes durante a vida. É o caso de bêbados/drogados que encontram Jesus. Muitas vezes, um dos Ds é usado para eliminar outro, como no caso de afluentes que cheiram tanto que acabam precisando vender o rabo na rua para sustentar o vício, até encontrar Jesus (de novo, o filho da puta escondido por aí). Trocas involuntárias e inconscientes são trocas do mesmo jeito, e, infelizmente, muitas levam para o D mais nocivo de todos, Deus.

Dinheiro resolve os próprios problemas que cria; os riscos maiores são ficar rico a ponto de ser sequestrado ou ser morto pelos filhos gananciosos no caso de longevidade excessiva. O primeiro é resolvido pagando o resgate ou contratando um monte de seguranças, e o segundo é resolvido com uma vasectomia ou um aborto. No entanto, dinheiro é difícil de conseguir e nem sempre resolve sozinho, e muitas vezes os ricos precisam de drogas

Drogas são, de longe, o D mais eficiente. Não estamos falando de uma cervejinha no fim de semana, estamos falando de dois gramas de pó e oito doses de algo por noite. É difícil contemplar as sutilezas do existencialismo quando você está tão travado que nem lembra mais o próprio nome. Drogas, infelizmente, drenam o Dinheiro e acabam levando de volta ao temido Deus.

Deus é onipotente, onisciente e onipresente, mas mesmo assim precisou de 6 dias para fazer essa merda, e ainda precisou descansar depois. Além de ser tão inseguro sobre o próprio poder que precisa de um monte de pessoas vigiando as ovelhinhas; pastores berrando estupidezes sem sentido para massas ignorantes e arrancando um naco do parco salário daquele bando de analfabetos ou padres velhos e gordos bebendo vinho e estuprando meninos de oito anos de idade.

Mas Deus não é só roubo e pedofilia, existe um lado positivo, o de controle social. A passividade e resignação geradas por religião organizada e o sistema escolar risível do Brasil permitem que as coisas continuem fluindo do jeito que estão. Um povo analfabeto e religioso não questiona, não pensa, não critica e não entende. Mesmo as atrocidades governamentais tão absurdamente óbvias que acabam escorrendo até o consciente do povão são rotuladas de “o mundo é do jeito que é” e esquecidas. Os outros D também têm lados positivos. Drogas cuidam de controle populacional, e Dinheiro, bem, Dinheiro é Dinheiro.

Mesmo com um leque razoável de opções, todas deixam algo a desejar. Como alternativa, existe a quarta opção, o D para iniciados. D de Desprezo; é duradouro, gratificante e definitivo. Mas, apesar de quase perfeito, não é simples. É necessário um talento inato para, mesmo sem qualquer evidência, se achar tão melhor que o resto da humanidade. Afinal, a suposta superioridade precisa ser tão firme e enraizada que torne a existência suportável. Considerar-se superior e rir da estupidez colossal do resto do mundo mantém o motor humano bem lubrificado e rodando macio, sem engasgar.

Talvez algum a cruel realidade venha à tona e a casa de cartas caia, mas até hoje não tive problemas.

7 comentários:

André disse...

Matias hj vc superou tudo o que já foi publicado em seu blog. Parabéns pela sua superioridade.

Daniel Poeira disse...

Brother, se você acha que sentir desprezo é melhor do que usar drogas, o seu mala está te enganando tem muito tempo. Depois eu te passo uns contatos.

c.b. disse...

Divine doper dough...

filipe disse...

é... acho que DivinityDrugsDough é um ótimo nome pra nossa linha de camisetas super obscuras e caríssimas, não?

Guik disse...

hahahaha! O comentário do Poeira é verídico!

Elis Cavalcante disse...

Tô tentando usufruir dos 3 D's sem cegar (se isso for possível?). Tomo minha droguinha para emagrecer e um drinque de vez em quando. Acredito que para mim a melhor obra de Deus sou eu mesma. E, quero Dinheiro para pagar livros, viagens, teatros e a banda larga pra ver seu blog.

Anônimo disse...

Matias, tem uma outra solução!
Ela se chama Ética. Pode ser platoniana ou budista, não importa, mas ela segura a barra.
Vc precisa ler também um pouco mais de Voltaire!